24 agosto 2007
Para inglês ver...
Hélio Schwartsman
17 junho 2007
Sobre o relaxa e goza
A diferença é que alguns políticos, muitas vezes, não têm paciência para esperar esse instante "relax", o stop dos gravadores, caso da ministra-sexóloga, que falou exatamente o que estava acostumada a aconselhar no "TV Mulher" (Globo), quando era comentarista especializada, aliás era linda e incrível ao aconselhar o sexo anal para oprimidas donas-de-casa. Sempre com muito cuidado, é claro, além da pedagogia quase paulofreiriana.
Além muito além das várias Martas, a sexóloga e a ministra, o público e o privado, essa dupla caipira que faz confusão entre primeira e segunda voz nos inconscientes dos políticos e de nós todos, sempre apronta, não tem jeito.
Noves fora a chatice do já mofado politicamente correto, as frases dos machos políticos são impublicáveis, as frases das fêmeas soam normalmente como destempero, TPM, histerismo. É tanto que as fêmeas públicas não se arriscam à sessãozinha pornográfica que os machos têm com os repórteres depois das entrevistas.
Muitos repórteres ou colunistas que agora desforram do "relaxa e goza", muitos aliás que não fazem nem uma coisa nem a outra faz tempo, já ouviram calados ou nunca foram capazes de escrever uma frase de deputados porcos chauvinistas, mesmo que essas tivessem ligações diretas com a realidade pública. No mínimo, eram boas imagens, metáforas inconscientes, só para gastar aqui meus 15 minutos de psicanálise, sou uma espécie de novo-rico freudiano, se é que vocês me entendem.
E quando a sacanagem não é sexual, geralmente descamba para o preconceito ou o palpite infeliz de sempre. Tudo isso começou com o coronel Chico Heráclio (1920-1974), líder político de Limoeiro, Pernambuco, que um dia, no couro curtido do seu machismo, disse assim: "Mulher é feito espingarda, só presta se for guardada". A fêmea continua sendo uma arma quente!"
Xico Sa Folha de São Paulo 17/06/07
09 junho 2007
Reprodução da ignorância
É difícil calar face à reprodução da ignorância. Em artigo publicado na edição de hoje do Jornal do Commercio, o jornalista Juracy Andrade destila um amálgama violento, desinformado e preconceituoso sobre juventude, reprodução, violência e pobreza: Daí o que vemos hoje. Enquanto a maior parte das classes alta e média, apesar do veto papal, planeja a família e controla a natalidade, as classes pobres e desassistidas se enchem de filhos entregues ao deus-dará (nada a ver com o Deus dos crentes), cuja maioria só serve para pedir esmolas e praticar assaltos nas ruas, não sabe o que é lar, escola, lazer, não tem presente nem futuro. A promiscuidade em que vivem os adolescentes largados no mundo, a falta de informação, os conduz a uma vida sexual sem responsabilidade nem sanidade, cujo resultado são mais crianças jogadas na sarjeta. É a reprodução da miséria.
Uma coisa é ser favor da democratização do acesso à saúde reprodutiva, outra coisa é responsabilizar as mulheres pobres, ou pior, à juventude pobre, pela desigualdade social e violência do país. O artigo se torna mais perigoso ainda porque emana de uma personalidade da comunicação que deveria supostamente ser bem informada. Passemos então a algumas evidências científicas que encontrei em poucos segundos de pesquisa no site do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM).
Segundo Mario Monteiro (Pesquisador do IMS-UERJ) a faixa etária de maior fecundidade no Brasil concentra mulheres entre 20 e 24 anos, o que exclui automaticamente a idéia preconceituosa de que são adolescentes “promíscuos” que botam mais filho no mundo. Ainda segundo Maria Luiza Heilborn (pesquisadora do mesmo instituto carioca): “Diminuir o número de pobres impedindo-os de nascer aparece como a salvação das mazelas sociais e da violência urbana. Mais do que isso, é a fecundidade dos mais pobres que deve ser controlada, sobretudo das mais jovens, pois são elas que ‘fabricam em série’ os delinqüentes juvenis”.
É preciso ainda compreender que muitas e muitos adolescentes que têm filhos não o fazem por “irresponsabilidade”, pelo contrário, procuram assumir um status de adulto, no projeto de construir uma família sonhando escapar da miséria...
É lamentável que jornalistas continuem a propagar elementos de uma burrice aristocrática e preconceituosa, num país onde a pesquisa sobre sexualidade e gravidez na adolescência é considerada de excelência e citada mundialmente. Sugiro ao Sr. Juracy Andrade, dentre inúmeras referências científicas que desnaturalizam a idéia de que “os pobres se reproduzem demais e reproduzem assim sua miséria”, a leitura completa de Juventude, sexualidade e reprodução (v.22 N.7 jul.2006) publicado nos Cadernos de Saúde Pública da prestigiada Fundação Oswaldo Cruz.
Esperando ainda que os meios de comunicação de massa contribuam para a defesa dos menos favorecidos, exigindo melhores de condições de vida, creches, escolas e trabalho para que todos possam ter o direito de escolher, sonhar e construir sua família, da melhor forma que bem entender, com um ou cinco filhos...
07 junho 2007
Tormentas
Volto aqui mais uma vez, vivenciando um forte conflito cognitivo a cada vez que me sento para escrever essas linhas. É que agora o meu conflito de identidade “virtual” disputa com meu conflito de identidade “real”, o meu espaço psíquico “ridículo, limitado que só usa 10% da sua cabeça animal...”
Daria um bom cordel pós-moderno: a peleja do eu com ele mesmo por um pedaço de lugar nenhum... taí o mote...
Enquanto isso a gente acorda, toma café, lê o jornal, checa o email, vê se chegou correspondência, abre a porta pro vizinho e espera chegar seis da tarde que é a hora da salvação! Amém!
02 junho 2007
"Irrealidades da vida cotidiana"
Há horas em que a gente olha ao redor para ver se entende o mundo. E aí a gente percebe que ainda não leu tudo o que precisa dos grandes clássicos do romance mundial, mas que um montão de gente também não leu e tem um outro montão que leu, mas que não entenderam nada (boa desculpa para a gente se tranqüilizar até achar um “tempinho” para ir à biblioteca!).
Há horas em que você já não agüenta mais ficar olhando pra tela do computador e ao invés de levantar sua bunda e procurar algo de atrativo e interessante, você resolve xeretar o orkut do primo do vizinho do cunhado do seu amigo do maternal e aí tudo começa a ter menos sentido ainda... que danado eu estou fazendo aqui?
Chega a desesperar de tantas obviedades e você ali ao invés de quebrar este maldito engajamento, continua insistindo... Eu já tive várias crises de identidade virtual e em muitos momentos eu quis apagar tudo e dizer adeus a este mundo de pixels e átomos. Depois eu entendi que não é preciso ser tão radical assim, porque a gente pode fazer coisas boas nestes esquemas... eu mesma já critiquei um monte de gente que quis sair fora do sistema e vira e mexe eu estou me perguntando qual o sentido disso tudo.
Como se já não bastasse ter que se perguntar qual o sentido da vida agora a gente se pergunta qual o sentido da nossa vida virtual!! Como já diria o velho Freud (colegas de profissão me corrijam por gentileza), para o desejo (a grosso modo) não existe dimensão de real e irreal... é querer até se acabar...
Vidas fora e dentro do computador seriam nada mais nada menos que a mesma face do desejo? Do desejo de viver/morrer? Sei lá...
Mudando de assunto, esta semana a gente viu o último capítulo da terceira temporada de Lost... na verdade, não vou mudar muito de assunto não, um pouquinho só... Lost é assim: todo episódio eu vejo que o enredo tem furos crassos e na próxima semana eu estou na frente da telinha para dizer que Lost tem erros crassos...
Compulsão à repetição, diriam os colegas de plantão? Não deixa de ser... é preciso repetir até que se elabore a famosa repetição com diferença, pois bem...
Fiquei sempre indignada porque jornais e sites ficam espalhando por ai que Jack Shepard (ou qualquer coisa do gênero) é o herói da história... Intrigante... o líder-herói tem que ser um médico né?! Truculento, egoísta, narcísico, ditador e sarcástico...
Não é à toa também que as séries que fazem mais sucesso aqui na França são aquelas sobre emergências hospitalares e medicina legal... os novos heróis não salvam as mocinhas dos bandidos, não têm uma identidade secreta, não roubam os ricos para dar aos pobres, não têm poderes supranormais... os novos heróis têm diplomas com especialidades complexas, de preferência um diploma de médico...
Quase não existem mais as séries ou os programas com heróis “virtuais”... agora é tudo ali, na carne, no osso, na bala, na prova do crime, no DNA! Como diria Umberto Eco, um infinito desejo de fazer da irrealidade a coisa mais real que pode existir...
28 maio 2007
Medonhice alheia
Era um arquivo word com uma imagem e aqueles dizeres de "bons votos": se você não mandar para 200 pessoas, em três segundos seu mundo vai se acabar... aconteceu com sicrano que perdeu uma perna, beltrano ficou cego, fulano lascou-se na esquina! PQP! Ô falta do que fazer!!!! Se todos os problemas do mundo se resolvessem com essas merdas dessas correntes, a vida nem teria mais sentido! Cruzes! Cruzes! Pena que aqui não tem um galho de arruda para eu me benzer!!!!
11 maio 2007
Quero entrar no ano de 2007!
09 maio 2007
Quando a bondade bate na sua porta
Ele me mostra minha carteira... e fora dela os 10€ que eu tirei de manhã... "você se lembra madame, que tinha esse dinheiro? Madame?" Eu: "ãh? ãh? ah oui... merci!"
Eu não estava acreditando no que vi. O rapaz sorridente na minha frente: "você deixou cair dentro do ônibus... eu trabalho aqui em Marseille, peguei o mesmo ônibus e quando vi a carteira, não quis entregar na empresa, tem seu endereço dentro, por isso vim aqui entregar"...
Agradeci mais que tudo. Tudo intacto. Os documentos estão intactos. Mas, a minha percepção deste mundo mudou esta tarde. Que bom. Aleluia.
03 maio 2007
equivocando o português
Este bate-papo não está sendo gravado Saiba mais Cancelar eu: imprimi meu artigo! Enviado às 17:31 de Quinta-feira Filipe: tu ja' imprimiu seu artigo? eu: qual? eita é que eu escrevi errado é imprime meu artigo pra tu impremir lascou tu ja impremiu? Enviado às 17:34 de Quinta-feira Filipe: ja'... expremiu? eita verbinho dificil de conjugar hein? ja' imprimi dudu... do verbo imprimir... eu imprimo tu imprimes eles imprimem nos imprimimos vos imprimais (?) ele imprime... tô saindo... xau! |
| Filipe está ocupado. Talvez agora não seja uma boa hora. |
26 abril 2007
Bodão
A gente perdeu de participar ativamente da eleição presidencial brasileira, mas de consolo a gente contempla enquanto “observadores internacionais”, as eleições do país que derrubou a bastilha e guilhotinou o rei e alguns revolucionários também...
Aparentemente fazia muito tempo que o povo francês não voltava com tanta vontade... num país onde o voto não é obrigatório, não deixa de ser alto um índice de participação de 84%...
Dia 06 de maio é o segundo turno e a gente vai saber se o país terá um retorno à esquerda ou se vai lentamente continuar a dobrar à direita e a perder seu caminho de igualdade social historicamente construído.
De tudo o que eu ainda não entendi, o mais chocante são os milhões de franceses que votaram “ao centro”, um centro que não tinha uma proposta concreta quinze dias antes da eleição, e que resolveu apresentar umas idéias como “contra a discriminação”, “pela educação”...
Uma colega minha disse que era legal porque “não tinha aquela história de esquerda e direita”... Para mim essa história faz toda a diferença...
De um lado, a direita a dizer que é preciso lutar contra os abusos dos desempregados que mamam no governo, contra os imigrantes que não têm os papéis, mas que seus filhos são escolarizados na França (toda criança aqui vai pra escola, pouco importa de onde ela vem), a dizer que a pedofilia é genética (nem consigo mais olhar um bebê e imaginar que vai ser um pedófilo), que eles vão “moralizar” o país. Para mim, pode até ter desempregado que mame no governo... mas eu tenho certeza que a mamadinha deles não é nada perto da exploração monetária...
Trata-se mais uma vez de instalar o velho clima de todos contra todos e obviamente os mais fracos são sempre o bode expiatório perfeito... o camarada fica desempregado e ainda é chamado de ladrão... o imigrante sai muitas vezes da sua terra estrupiada, tem seu filho na escola, mas se lasca lavando banheiro, não é escolarizado em língua francesa e vira o bicho papão, e o pedófilo, nem sei o que ele ta fazendo no meio de uma campanha política...
São todos culpados pelo grande rombo no quarta economia do mundo...
24 abril 2007
19 abril 2007
tem dias eu queria...
18 abril 2007
Novas invenções
07 abril 2007
agora não, amanhã talvez
Há tempos venho pensando no fenômeno da mudança. Em como é difícil mudar... mas ultimamente tenho pensado também que mais difícil que mudar seja talvez aceitar que mudou e aceitar todas as conseqüências acarretadas por mudanças planejadas ou não.
Na verdade eu não acho que eu mudei muito, mas acho que mudei um pouco. Às vezes me sinto menos ansiosa em relação aos trabalhos da faculdade, o que termina por me deixar ansiosa porque não estou ansiosa...
Em fevereiro eu estava falando que passei uma semana sem conseguir estudar como queria e necessitava, estou começando a ficar com medo porque momentaneamente eu não estou sentindo aquele medão de o trabalho não ser bom, se não ficar legal, só um medinho...
Olho para minhas colegas da faculdade e chega tenho preguiça de pensar em como elas têm que mostrar que são fera, são tampa, e ter um bom desempenho a qualquer custo... vira e mexe tem um professor falando “olha lá, assim você não vai ter bolsa, sua carreira vai ser uma merda, você não vai conseguir, você vai fracassar...” Já ouvi duas vezes discursos parecidos. E infelizmente ou felizmente, quando existe uma ameaça no ar, minha tendência é desprezá-la e desprezar junto com ela o ser humano que tenta criar um clima de terrorismo... no fim da aula, todo mundo se descabelava e uma menina olhou para mim e falou “Rrrrênatáá, você não está com medo?”
agora não... pode ser que daqui pra o fim do semestre eu mude de idéia e resolva fazer tudo o que estou protelando! Ai que medo!
24 março 2007
Entre sereias e loucos
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Eu sempre gostei de mitologia grega, mas nunca me dediquei a estudar com mais sistemática apesar do gosto e da necessidade acadêmica e profissional quando se é psicóloga… Ultimamente tenho lido e relido alguns mitos, por influência do meu orientador que adora mitos e lendas e que de quebra é grego... e por influência de alguns pensamentos que me passam pela cabeça sobre a vida. Não deixa de ser bastante interessante o fato dos antigos tentarem explicar o mundo através de histórias fantásticas e o que me deixa mais surpresa é a semelhança ou a metáfora que estas simbologias guardam em relação à vida real.
Ulisses, por exemplo. Foi dele a idéia do cavalo de Tróia. Uma idéia louca... depois de ganhar a batalha pegou seu navio para voltar para sua Penélope que o esperava já fazia 10 anos. E ele precisou de mais dez anos navegando até voltar para Itaca, seu reino. No caminho, teve que com força, livrar seus marinheiros da influência dos comedores de Loto, hedonistas que comiam avidamente os frutos caídos por terra e que por isso esqueciam de suas responsabilidades e compromissos... Será que é por isso que a gente quer ganhar na “Loto”? Fiquei pensando na origem da palavra...
Ele venceu o Ciclope, depois passou pela ilha dos ventos, em seguida pela feiticeira Circe... e navegando se livrou das sereias... isso me impressiona ainda mais. O fato é existem muitas versões para as astúcias de Ulisses contra as sereias. O mito é quase um universal cultural, desde os gregos até os índios da Amazônia, todos temem o canto da meio mulher/meio bicho que atrai os homens para a morte.
Ulisses ordenou que fosse amarrado e tampou os ouvidos dos marinheiros com cera. Quando as sereias chegaram, ele gritou como um louco varrido amarrado (tal qual a gente ainda faz hoje em dia, infelizmente) pedindo para mergulhar. Mas seus marinheiros não podiam ouvir o delírio e remaram livres até o destino... A gente ainda amarra nossos loucos, esperando que as sereias que cantam em seus ouvidos desistam de atormentá-los... mas será que temos os ouvidos tapados com cera e ainda, será que chegaremos as destino final?
13 março 2007
07 março 2007
03 março 2007
Reckless
That makes you move
So come on and get down
To this funky sound
Do what you please
You are entitled to flaunt
Get wild and reckless
If you want
cause the sound we deliver
Will take you higher
Most definately with
Desire, desire, de si si si sire
28 fevereiro 2007
Time is on my side...
Semana de férias de inverno. Mil planos, poucas ações... no fundo eu queria... poder fazer absolutamente nada.
Mas o livro de estatística inferencial está aqui do lado, esperando minha inspiração intelectual para diferenciar um k de Kendall de uma t de student...
Correlação de variáveis nominais dicotômicas numa função linear monótona? Não sei. Por enquanto só consigo abrir mais uma janela do mozilla para ler o jornal. Depois para checar umas dez vezes meu email, reler algumas cartas enviadas e recebidas, procurar preços de livros na Internet.
Quanto mais planejo, menos saio do lugar... Pela janela, o sol se esconde atrás de nuvens cinzentas e frias... todo um contexto meteorológico que contribui para aquela nossa velha e boa preguiça invernal e infernal.
Ultimamente poucas atividades me dão prazer. Entre elas, nadar na piscina municipal, mas por causa das férias, obviamente até a piscina fechou. E estou privada da sensação de segurança de estar mergulhada no quentinho e transparente.
Rotina repetida de três dias: acordar, tomar café, lavar a louça, esperar a hora do almoço, ler muita besteira na Internet e jurar que nas próximas horas eu vou estudar...
27 fevereiro 2007
26 fevereiro 2007
20 fevereiro 2007
Propagandas e outras coisas
Uma observação que Pedro ja tinha feito sobre a vida francesa é que os franceses pararam nos anos 80: os cabelos das mulheres, as roupas, os programas na TV e claro, os comerciais de televisão, com aquelas musicas anos 80 total!
Se no Brasil, a doença é comercial de alcool, aqui é comercial de carro, até porque cerveja, vinho, champanhe ou o que for alcoolizado não aparece na telinha... a gente não vê também comercial de supermercado, que é altamente proibido, mas estão querendo rever a legislação e modificar isso... tô doida para ver a concorrência do preço do camembert ou da carne de vaca véia que eles vendem por aqui...
Falando nisso, acho que nunca na vida me alimentei tão bem. Comprar carne vermelha aqui é muito luxo (além de nem ser comparavel a um corte brasileiro), a gente come quando vai visitar alguém... e tome porco, galinha e peixe!
19 fevereiro 2007
7000 anos de Massilia
A gente mora bem no centro de Marseille, é quase a avenida Guararapes do mediterrâneo. Todo dia quando eu vou para faculdade, adoro caminhar nas ruas cheias de culturas dos quatro quantos do mundo. Um verdadeiro caldeirão multicultural, pleno de cores, de vida, de perfume de cominho e de cuzcuz... onde o francês é na maioria das vezes, a segunda língua falada depois dos ricos dialetos e línguas que preenchem o cotidiano da cidade. Eu passo numa rua onde existem várias lojas que só vendem a varejo, a maioria de coreanos e chineses. Eu dobro à direita, subindo uma ladeira e as mães mulçumanas com seus véus (às vezes burcas) deixam seus pequenos na creche, pais apressados fazem o mesmo misturando suas crias, misturando-se entre as mães... quando termino de subir, dou de cara com o muro mais antigo da cidade, erguido em 5000 antes de Cristo... desço a ladeira, chego no arco onde estão acampados os sem tetos da região, faz mais de três meses...
Na piscina municipal, grávidas, bebês, adolescentes, velhos e velhas, executivos engravatados, mulheres maquiadas e seus saltos finos, todos fazem fila para pegar um cabide, tirar a roupa e pular na água quentinha... parece até a praia! Viva Massilia!





