Há horas em que a gente olha ao redor para ver se entende o mundo. E aí a gente percebe que ainda não leu tudo o que precisa dos grandes clássicos do romance mundial, mas que um montão de gente também não leu e tem um outro montão que leu, mas que não entenderam nada (boa desculpa para a gente se tranqüilizar até achar um “tempinho” para ir à biblioteca!).
Há horas em que você já não agüenta mais ficar olhando pra tela do computador e ao invés de levantar sua bunda e procurar algo de atrativo e interessante, você resolve xeretar o orkut do primo do vizinho do cunhado do seu amigo do maternal e aí tudo começa a ter menos sentido ainda... que danado eu estou fazendo aqui?
Chega a desesperar de tantas obviedades e você ali ao invés de quebrar este maldito engajamento, continua insistindo... Eu já tive várias crises de identidade virtual e em muitos momentos eu quis apagar tudo e dizer adeus a este mundo de pixels e átomos. Depois eu entendi que não é preciso ser tão radical assim, porque a gente pode fazer coisas boas nestes esquemas... eu mesma já critiquei um monte de gente que quis sair fora do sistema e vira e mexe eu estou me perguntando qual o sentido disso tudo.
Como se já não bastasse ter que se perguntar qual o sentido da vida agora a gente se pergunta qual o sentido da nossa vida virtual!! Como já diria o velho Freud (colegas de profissão me corrijam por gentileza), para o desejo (a grosso modo) não existe dimensão de real e irreal... é querer até se acabar...
Vidas fora e dentro do computador seriam nada mais nada menos que a mesma face do desejo? Do desejo de viver/morrer? Sei lá...
Mudando de assunto, esta semana a gente viu o último capítulo da terceira temporada de Lost... na verdade, não vou mudar muito de assunto não, um pouquinho só... Lost é assim: todo episódio eu vejo que o enredo tem furos crassos e na próxima semana eu estou na frente da telinha para dizer que Lost tem erros crassos...
Compulsão à repetição, diriam os colegas de plantão? Não deixa de ser... é preciso repetir até que se elabore a famosa repetição com diferença, pois bem...
Fiquei sempre indignada porque jornais e sites ficam espalhando por ai que Jack Shepard (ou qualquer coisa do gênero) é o herói da história... Intrigante... o líder-herói tem que ser um médico né?! Truculento, egoísta, narcísico, ditador e sarcástico...
Não é à toa também que as séries que fazem mais sucesso aqui na França são aquelas sobre emergências hospitalares e medicina legal... os novos heróis não salvam as mocinhas dos bandidos, não têm uma identidade secreta, não roubam os ricos para dar aos pobres, não têm poderes supranormais... os novos heróis têm diplomas com especialidades complexas, de preferência um diploma de médico...
Quase não existem mais as séries ou os programas com heróis “virtuais”... agora é tudo ali, na carne, no osso, na bala, na prova do crime, no DNA! Como diria Umberto Eco, um infinito desejo de fazer da irrealidade a coisa mais real que pode existir...
02 junho 2007
"Irrealidades da vida cotidiana"
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Um comentário:
Vou mandar você pra Harvard menina!
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