24 março 2007

Entre sereias e loucos


Eu sempre gostei de mitologia grega, mas nunca me dediquei a estudar com mais sistemática apesar do gosto e da necessidade acadêmica e profissional quando se é psicóloga… Ultimamente tenho lido e relido alguns mitos, por influência do meu orientador que adora mitos e lendas e que de quebra é grego... e por influência de alguns pensamentos que me passam pela cabeça sobre a vida. Não deixa de ser bastante interessante o fato dos antigos tentarem explicar o mundo através de histórias fantásticas e o que me deixa mais surpresa é a semelhança ou a metáfora que estas simbologias guardam em relação à vida real.
Ulisses, por exemplo. Foi dele a idéia do cavalo de Tróia. Uma idéia louca... depois de ganhar a batalha pegou seu navio para voltar para sua Penélope que o esperava já fazia 10 anos. E ele precisou de mais dez anos navegando até voltar para Itaca, seu reino. No caminho, teve que com força, livrar seus marinheiros da influência dos comedores de Loto, hedonistas que comiam avidamente os frutos caídos por terra e que por isso esqueciam de suas responsabilidades e compromissos... Será que é por isso que a gente quer ganhar na “Loto”? Fiquei pensando na origem da palavra...
Ele venceu o Ciclope, depois passou pela ilha dos ventos, em seguida pela feiticeira Circe... e navegando se livrou das sereias... isso me impressiona ainda mais. O fato é existem muitas versões para as astúcias de Ulisses contra as sereias. O mito é quase um universal cultural, desde os gregos até os índios da Amazônia, todos temem o canto da meio mulher/meio bicho que atrai os homens para a morte.
Ulisses ordenou que fosse amarrado e tampou os ouvidos dos marinheiros com cera. Quando as sereias chegaram, ele gritou como um louco varrido amarrado (tal qual a gente ainda faz hoje em dia, infelizmente) pedindo para mergulhar. Mas seus marinheiros não podiam ouvir o delírio e remaram livres até o destino... A gente ainda amarra nossos loucos, esperando que as sereias que cantam em seus ouvidos desistam de atormentá-los... mas será que temos os ouvidos tapados com cera e ainda, será que chegaremos as destino final?

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