19 julho 2006

Estado de respeito

Faz um mês mais ou menos que duas garotinhas foram mortas na Bélgica. Fiquei estarrecida com a noticia, fiquei estarrecida ainda com a policia que batendo continência, entregou o corpo das meninas num carro oficial ao pais...
Faz uns dois meses também que a França foi abalada por dois casos parecidos. O parlamento francês fez um minuto de silêncio pelas crianças... eu fiquei engasgada com a cena.
Um documento meu atrasou numa secretaria do governo francês. Fui duas vezes no guichê. Na segunda fui encaminhada ao chefe. O homem me pediu insistemente desculpa pela demora. Fiquei "bege".
Todo mês vou na farmácia pegar meu remédio de tireóide, entrego a receita, pego o remédio e digo « merci ». Não pago nada, pois saúde aqui é de graça.

Ninguém sai com medo de levar uma bala, de ser assaltado. A morte é verdadeiramente a exceção. Capazes de garantir respeito aos seus moradores e cidadãos, o primeiro mundo não divide com aqueles que precisam, e muitas vezes, é o primeiro mundo o responsavel pelo caos que encontramos abaixo do Equador.
A nova lei de imigração francesa expulsa a criança estrangeira que fala o francês e a lingua materna. Apenas crianças filhas de estrangeiros que não falam a lingua dos pais, isto é, unicamente francofonas, ficarão na escola. O estado de respeito começa a mostrar seus limites, "escolhe" a dedo os que podem dele usufruir.

14 julho 2006

São Paulo e o Mediterrâneo



Andei vendo nos jornais a cobertura da violência do PCC e da semana de moda em São Paulo. Parece uma coisa inventada que no meio de tanta bala e fogo, um estilista lança a sua coleção dizendo que se trata de roupas para a mulher brasileira carregar na mala das férias, num maravilhoso cruzeiro no Mediterrâneo, sendo a “convidada do comandante”...

Fácil de constatar que neste mundo, sonho, glamour e riqueza não fazem parte da realidade de mais de 99,9% das mulheres brasileiras. Fácil de constatar também como essa elite podre brasileira vive no seu imaginário supérfluo e degradante, maquiado pela magreza do modelo anoréxico feminino, desfilando na cara do país a exclusão social. Viva o São Paulo Fashion Week!

12 julho 2006

Números mundiais

Segundo a Organização Panamericana de Saúde, a cada minuto morrem 20 crianças menores de 5 anos e a cada dia morrem 30.000 crianças. Morrem por ano, um milhão de crianças na primeira infância em conseqüência da morte de sua mãe e mais de 10 milhões de crianças menores de 5 anos devido à doenças que poderiam ser prevenidas e tratadas a tempo.

10 julho 2006

Zinedine "Sedane"

O melhor da copa foi a expulsão de Zidane! Coitada da mãe dele que possivelmente foi xingada pelo italiano e ainda teve que assistir o filho cara de mamão cometer um dos comportamentos mais anti desportivos da historia do futebol... Eu quero mais é que Zinedine Sedane!

05 julho 2006

Guerra

Uma das coisas que eu mais gostava de estudar na escola era história. E o “capítulo” da Segunda Guerra Mundial me interessava muito com todas os contos, os rumores, os bastidores... Estudando psicologia a gente revê um pouco do contexto. A idéia de teste de inteligência que nasce ainda na Primeira Guerra, os estudos sobre comunicação de massa, a noção de propaganda, o conformismo. Uma das histórias que mais me fascina, é Kurt Lewin tentando fazer os americanos comer miúdos de carne, que não era um comportamento freqüente...
Aqui todas as vezes que vamos fazer a feira da semana, passamos em baixo de um túnel que foi bombardeado três vezes durante a segunda guerra. Mais de dois mil e quinhentos feridos, não sei quantos mortos. Embaixo do túnel, meu pensamento não escapa àquela época. As marcas da guerra são muito fortes aqui. No metrô, lugares são reservados para inválidos de guerra, idosos e grávidas, e a placa diz “nesta exata ordem de preferência”.
Os inválidos de guerra não pagam inscrições em bibliotecas, fazem esporte gratuitamente nas piscinas publicas, não pagam transporte público. Em Paris, toda primeira quarta-feira do mês, sirenes soam para lembrar os bombardeamentos. Em Marseille, cada rua, cada monumento, conta uma parte dessa história que parece mentira de tão absurda.