23 janeiro 2006

No lado de baixo do Equador

Akilu Lemma e Legesse Wolde Yohannès são dois pesquisadores em parasitologia que venceram uma série de preconceitos em relação à ciência praticada na Africa. Aproxidamente 250 milhões de pessoas são afetadas por três tipos de schitosoma na Africa, na Asia e na América Latina. São aqueles vermes horrorosos que invadem as tripas ou o figado do cidadão, moram às vezes cerca de 20 anos dentro do bucho de alguém até causarem estragos que vocês podem imaginar... as larvas habitam os moluscos nos rios e até algum tempo atras não existia remédio capaz de dar cabo nem do verme no homem, nem do verme no molusco. Alguns famosos parasitologistas ingleses declararam que a unica luta eficaz contra o verme era corrigir "a falta de higiene" do povo africano... depois vinte anos pesquisando com recursos proprios, Akiliu e Legesse encontraram um remédio natural contra a doença, uma planta nativa da região... eles pediram ajuda da OMS, e o orgão, apesar de ter recursos destinados à pesquisa com schitosoma, não concedeu um centavo sequer a dupla... razões? Mistérios que rodam os bastidores da ciência mundial... para mim, uma resposta: a falta de vontade do norte de ver o sul desenvolver suas competências especificas...

Entre razão e emoção

"Não desejamos uma coisa porque achamos que ela é boa. Achamos que ela é boa porque a desejamos" Spinoza

18 janeiro 2006

transgênicos

Desafio o cristão mais proximo a me dizer qual o simbolo que deve ser colocado no rotulo dos alimentos quando se trata de um transgênico: qual a cor? Como ele é? Sem querer fazer muito drama... aposto, como disse uma autora, que a familia que morreu por causa do Césio 137 em Goiânia também não sabia o que danado era aquele simbolo, mas que possivelmente não abriria a lata se tivesse uma caveira em fundo amarelo.

Qual é o problema?

Muitas pessoas adoram seus cães e o seu jeito alegre ao redor de crianças e adultos. Poderiam as pessoas ser escolhidas do mesmo jeito? Seria tão terrivel permitir aos pais ao menos almejar um determinado tipo, da mesma maneira que os grandes criadores tentam combinar um tipo especifico de cachorro às necessidades de uma familia?" Gregory Stock

E num futuro não muito distante...

"Os geneticamente ricos - que representam 10% da população - carregam genes sintéticos. Todos os aspectos da economia, midia, da industria de entretenimento e de conhecimento são controlados por membros da classe geneticamente rica... os naturais trabalham como mão de obra barata ou como operarios. A classe dos geneticemente ricos e a classe dos naturais se transformarão em espécies inteiramente separadas, sem capacidade de cruzamento e com tanto interesse romântico uma pela outra quanto um homem atual tem por um chimpazé" Lee Silver

10 janeiro 2006

pequenas observações

Antes de chegar aqui eu tinha algumas idéias sobre a vida no exterior, sobre a França, sobre os franceses... e sobre os brasileiros!!!
São idéias que andam caindo por terra depois de vivenciar um pouquinho mais as diversas situações cotidianas...
Pegar um ônibus, por exemplo! Ou almoçar no restaurante da faculdade... Descobri que os franceses ou não sabem ou não gostam de fazer uma simples fila! E pior, adoram furar uma quando a mesma existe! Com a maior cara de pau.
Sempre a mesma agonia nessas horas, um buruçu danado, empurra de la e de ca, e tome pardon, excusez, mas fila que é bom?! Nada!
Entregar e fazer trabalho da faculdade, então... o povo aqui sabe fazer um corpo mole!! Chegar atrasado? Sabe também.
Fazer furdunço na biblioteca? Telefone celular tocar na sala no meio da aula? Ou na biblioteca?
Tem tudo isso aqui, tem... e muito mais!
Quando o povo se empolga na biblioteca e fala muito alto, por exemplo, a bibliotecaria não se intimida: grita em alto e bom som "eu vou ser obrigada a evacuar!!!"
Cada vez que ela faz isso, eu fico rindo sozinha como uma besta, imaginando se fosse no CFCH... com certeza ia ter um engraçadinho pensando a mesma coisa que eu: "pode evacuar minha senhora!! Prender faz mal..."

05 janeiro 2006

afogamento linguistico

Muitas vezes aqui na França eu sofro de afogamento linguistico. Isso acontece quando eu quero falar alguma coisa, eu penso tudo em português, tudo é muito claro na minha cabeça, mas quando eu abro a boca, ulala, me afobo e me afogo!!! Começo a frase e não termino, tento recomeçar e não consigo, o povo fica esperando, fica afobado querendo me ajudar, tenta advinhar o que eu quero falar, é um drama!! Algumas vezes eu consigo escapar desta situação, é quando eu começo a falar devagar, coisa por coisa, palavra por palavra, até enfim, terminar a frase!!! Tem dia que eu vou dormir com a certeza de que fui ridicula!! Ai socorro, como é ruim a gente se lembrar desses momentos. E tem dia que eu acordo com a certeza de que isso ainda vai continuar... é o famoso sentimento de ser "humano, ridiculo, limitado, que so usa 10 % da sua cabeça animal"...