07 maio 2006

Para o djudju

De frente a um quadro impressionista, o expectador deve guardar a boa distância, de muito perto, não se pode distinguir as pinceladas. Tudo fica misturado, a pintura perde o seu significado e contexto, passa a ser uma horda de cores aleatórias, descombinadas e casuísticas. Negligente, o observador pode pensar que a composição é abstrata, indiferente e caótica. Talvez até surrealista. Assim, para poder apreender e interpretar a composição deve-se tirar o nariz do quadro e chegar a distinguir nitidamente figura e fundo. Não é uma tarefa fácil, pois a idéia do impressionismo é causar “impressões” como o próprio nome sugere. A figura e o fundo vão variar a partir das referências colocadas, a realidade é fluida, há movimento, há cores, podemos produzir apenas imagens momentâneas, cada nova observação desvenda um aspecto até o instante desconhecido. Às vezes parece até que os personagens, ou que a paisagem se moveu ou ainda que você vai fazer parte daquela realidade eternizada.
Acho que ultimamente eu sou este observador que se aproximou demais do próprio quadro e agora não consegue saber o que é figura e o que é fundo. Nesta ambivalência cotidiana, o significado do que estava sendo construído fica escondido objetivamente pela falta de distanciamento necessário e subjetivamente, porque as “impressões” não se entendem e causam até um certo sofrimento, uma certa culpa quem sabe.
Desesperada, lanço pinceladas e depois apago de forma abrupta. O problema não é refazer a obra, o problema é tentar que ela se faça por si mesma, é esquecer de construir a imagem sonhada inicial que representa o quadro no imaginário. De repente, qualquer disposição de elementos vale, ou nenhum vale coisa alguma. Oscilando, olho ao lado, quero saber o estado da arte ao meu redor. Quem sabe assim, eu consiga observar melhor minha projeção.
O problema é que em relação aos exteriores, minha posição sempre é a distância estratégica: tudo parece nítido, lindo, adaptado. Com os olhos fixos na minha estrutura, mergulhada nesta desordem, não acho saídas, penso que o meu projeto não vale, minhas construções não estão na moda, não estão ajustadas. Cega, faltam cores. Exagero em umas, esqueço de outras. Não consigo recentrar minha idéia, não encontro paz. Neste ponto, esqueço que o quadro é singular e que ninguém pode fazê-lo por mim, cada um tem o seu, pinta como pode e ver o quer. Um pouco de luz talvez, uma luz interior precisa iluminar. Deixar passar por mim toda a possibilidade de viver, todo o amor e assim pintar com você o que é nosso e que sozinha não posso enxergar.

Um comentário:

Anônimo disse...

espetro não ter entendido...
mas se eu realemnte entendi...
tá na hora de buscar cooperação.
abçs

polly de gian