18 maio 2006

http://www.desligueatv.org.br

Trechos de redações apresentadas durante o vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais, cujo tema foi:
"A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?"
"A TV possui um grau elevadíssimo de informações que nos enriquece de uma maneira pobre, pois se tornamos uns viciados deste veículo de comunicação".
"A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação, informação e deformação"
"A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não..."
"A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida como também as vista"
"A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com isso fabrica muitas cabeças"
"Sempre ou quase sempre a TV está mais perto denosco, fazendo com que o telespectador solte o seu lado obscuro"
"A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral"
"A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer de locomoção"
"A TV é o oxigênio que forma nossas idéias"
"...por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de informar e deformar os homens"
"A TV ezerce (Nossa Senhora!!!) poder, levando informações diárias e porque não dizer horárias"
"E nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a TV não tem nada a ver com isso"
"A televisão leva fatos a trilhares de pessoas""A TV acomoda aos teles inspectadores"
"A informação fornecida pela TV é pacífica de falhas"
"A televisão pode ser definida como uma faca de trez gumes. Ela tanto Pode formar, como informar, como deformar"

10 maio 2006

Tudo vale à pena

Tudo vale à pena se a alma não é pequena. Durante muito tempo briguei com Fernando Pessoa por causa deste verso. Acho que eu não compreendia o que ele queria dizer, talvez nem compreenda ainda, mas ao menos eu parei de brigar com ele. De fato, não concordava com as duas partes da frase. Não achava que "tudo vale à pena" nem tão pouco que existe "alma pequena". Agora começo a pensar que um dos sentidos deste simples e conhecido adagio português é "você não precisa levar a sério"... enlouqueci? Ainda não, isso é apenas o começo.

07 maio 2006

Para o djudju

De frente a um quadro impressionista, o expectador deve guardar a boa distância, de muito perto, não se pode distinguir as pinceladas. Tudo fica misturado, a pintura perde o seu significado e contexto, passa a ser uma horda de cores aleatórias, descombinadas e casuísticas. Negligente, o observador pode pensar que a composição é abstrata, indiferente e caótica. Talvez até surrealista. Assim, para poder apreender e interpretar a composição deve-se tirar o nariz do quadro e chegar a distinguir nitidamente figura e fundo. Não é uma tarefa fácil, pois a idéia do impressionismo é causar “impressões” como o próprio nome sugere. A figura e o fundo vão variar a partir das referências colocadas, a realidade é fluida, há movimento, há cores, podemos produzir apenas imagens momentâneas, cada nova observação desvenda um aspecto até o instante desconhecido. Às vezes parece até que os personagens, ou que a paisagem se moveu ou ainda que você vai fazer parte daquela realidade eternizada.
Acho que ultimamente eu sou este observador que se aproximou demais do próprio quadro e agora não consegue saber o que é figura e o que é fundo. Nesta ambivalência cotidiana, o significado do que estava sendo construído fica escondido objetivamente pela falta de distanciamento necessário e subjetivamente, porque as “impressões” não se entendem e causam até um certo sofrimento, uma certa culpa quem sabe.
Desesperada, lanço pinceladas e depois apago de forma abrupta. O problema não é refazer a obra, o problema é tentar que ela se faça por si mesma, é esquecer de construir a imagem sonhada inicial que representa o quadro no imaginário. De repente, qualquer disposição de elementos vale, ou nenhum vale coisa alguma. Oscilando, olho ao lado, quero saber o estado da arte ao meu redor. Quem sabe assim, eu consiga observar melhor minha projeção.
O problema é que em relação aos exteriores, minha posição sempre é a distância estratégica: tudo parece nítido, lindo, adaptado. Com os olhos fixos na minha estrutura, mergulhada nesta desordem, não acho saídas, penso que o meu projeto não vale, minhas construções não estão na moda, não estão ajustadas. Cega, faltam cores. Exagero em umas, esqueço de outras. Não consigo recentrar minha idéia, não encontro paz. Neste ponto, esqueço que o quadro é singular e que ninguém pode fazê-lo por mim, cada um tem o seu, pinta como pode e ver o quer. Um pouco de luz talvez, uma luz interior precisa iluminar. Deixar passar por mim toda a possibilidade de viver, todo o amor e assim pintar com você o que é nosso e que sozinha não posso enxergar.