09 março 2006

No coletivo

Um fio de esperança se abre no meu coração. Hoje pela manhã fui pra faculdade para dar uma olhada em como as coisas estavam por la. A universidade de Aix esta fechada e bloqueada, os estudantes estão em greve devido a um projeto do governo chamado Contrato Primeiro Emprego. Mais de 40 universidades ja entraram em greve, os estudantes são os protagonistas da cena. Nesta terça feira uma passeata enorme em toda a França, e aqui em Marseille levou os sindicatos, os estudantes universitarios e secundarios em milhares junto à população, numa marcha pelas ruas. Cada cidade organiza sua manifestação. E eis que hoje ao chegar no hall na faculdade dou de cara com uma assembléia dos professores. Senhores de paleto, mulheres de tailleur, todo mundo muito chique, discutindo, reclamando, apoiando, falando, se expressando. Eram 200 professores, um numero expressivo visto que se tratava apenas da faculdade de letras e ciências humanas, não é como no Brasil, onde as assembléias congregam todos os professores. O fato mais curioso é que os professores estavam reunidos para votar um apoio aos estudantes e decretar a greve também... eu nestes meus 25 anos, nunca vi coisa igual. Fiquei boba... os professores apoiando um movimento iniciado pelos estudantes, néao so iniciado mas protagonizado! E eis que o mais extradordinario acontece: chega o reitor da universidade, vem dar o apoio, vem dizer que o conselho universitario votou uma moção contra o governo, e que ele se solidariza com os estudantes, e que esta preocupado com a ocupação à noite porque o frio, a segurança das pessoas, coisa e tal. Por um momento eu me beslicava: "não, não pode ser!!" Os professores votam o apoio e a greve. Começa a assembléia de estudantes. Fico pra ver. Varios professores estão la também. Os alunos contra a greve pedem a palavra. Dizem que não vai dar, que vai ser votado, que é lei, não adianta, que estão perdendo tempo... um aluno da associação dos estudantes com deficiência fisica toma a palavra. E lembra que não faz pouco tempo, na França se pensava que a paralisia era contagiosa e transmissivel, e por isso, pessoas com paralisia não podiam frequentar uma universidade, estava na lei. Mas mudou...
Nesta hora eu senti aquela emoção que faz com que a gente se lembre que somos iguais e diferentes, que somos gente. A emoção de partilhar o coletivo... uma esperança reacende dentro de mim...

4 comentários:

Anônimo disse...

DE: Polly (de Gian)

poxa...
paralisia ser contagiosa... é lasca!!!
se ainda fosse a paralisia infantil... mas o deficiente ser transmissor. Sei não, e eles se acham que são o 1º mundo. Na realidade deveriam se manter NO VELHO MUNDO.

Mas a iniciativa é muito boa... e a junção de forças é perfeita... o negócio aí pode até ser lei... mas a lei só funciona qd não há repúdio.

RENATINHA
adorei o texto.
Estamos com saudades.
bjs p vc e p filipão.

Anônimo disse...

poxa renata,
esse texto me pegou num momento muito foda, acabei chorando.
que bonito mesmo.
Pensei nas assembleias no auditório do CCSA, pensei em maio de 68, pensei na primeira vez que houvi o nome de Renata (Cláudio falou de uma menina maluca do primeiro periodo que queria ir para o congresso da UNE - pensei na hora: bichinha).
Ah deixa pra lá, se com 27 anos eu já sou assim imagina com 67.
beijos do sul
rico

Anônimo disse...

renatinha, q texto lindo!!!!!!!aqui no brasil a gente ta vivendo uma apatia geral(maior q a de todos os tempos) e ler coisas assim me faz acrditar q a luta n e em vao...bjs e obrigada por, ate de longe, continuar alimentando minhas energias!!!!!!!!

Anônimo disse...

ah, esse ultimo anonimo fui eu, Cintia!!!!!!!!!