Segundo minha mãe, depois de "mamam" e "papa", a terceira palavra que eu pronunciei foi "bedeque". Olhei para uma mosca e falei "bedeque". Ainda segundo a minha mãe, ao sair da escola um dia eu exclamei "amar é tão bom!!", eu não sabia que naquela época eu ja sabia. Uma descoberta!
De vez em quando minha mãe e meu pai contavam algumas das frases que eu falei pequenininha e que eles consideravam as mais engraçadas. Eu sempre adorei estes momentos. Parecia que eu me encontrava com meu eu mais arcaico, um eu esquecido por mim mesma, acessivel apenas pelas lembranças de outros. "Eu disse isso?", é a pergunta mais comum que a gente faz nestas ocasiões porque nos parece realmente muito esquisito que tenhamos deixado marcas memoraveis sem de fato controlar este fenômeno. O sentimento de estrenheza e curiosidade era também de descoberta e de certeza: então eu sou isso mesmo!! Uma certa tranquilidade existencial...
21 março 2006
10 março 2006
Lista Forbes
Não deixam de ser interessantes e enormemente absurdos os comentarios sobre os brasileiros que figuram na listas dos mais ricos dos mais ricos do mundo. O Brasil dobrou em um ano, o nome das criaturas que figuram na famosa lista: eram 8 em 2005 e agora são 16. Segundo a revista, esse "crescimento" se deve ao desenvolvimento econômico nos paises emergentes... Minha reação é de perplexidade... medir o desenvolvimento de um pais pela lista forbes não me parece um indice muito pertinente... o tom da revista incita o brasileiro a ter "orgulho nacional" por seus ricaços... Alegremo-nos então na felicidade de nossos queridos bilionarios, diga-se de passagem, a metade banqueiros, que comem nosso salario e tiram fotos para Forbes com seus sorrisos de hienas africanas...
09 março 2006
No coletivo
Um fio de esperança se abre no meu coração. Hoje pela manhã fui pra faculdade para dar uma olhada em como as coisas estavam por la. A universidade de Aix esta fechada e bloqueada, os estudantes estão em greve devido a um projeto do governo chamado Contrato Primeiro Emprego. Mais de 40 universidades ja entraram em greve, os estudantes são os protagonistas da cena. Nesta terça feira uma passeata enorme em toda a França, e aqui em Marseille levou os sindicatos, os estudantes universitarios e secundarios em milhares junto à população, numa marcha pelas ruas. Cada cidade organiza sua manifestação. E eis que hoje ao chegar no hall na faculdade dou de cara com uma assembléia dos professores. Senhores de paleto, mulheres de tailleur, todo mundo muito chique, discutindo, reclamando, apoiando, falando, se expressando. Eram 200 professores, um numero expressivo visto que se tratava apenas da faculdade de letras e ciências humanas, não é como no Brasil, onde as assembléias congregam todos os professores. O fato mais curioso é que os professores estavam reunidos para votar um apoio aos estudantes e decretar a greve também... eu nestes meus 25 anos, nunca vi coisa igual. Fiquei boba... os professores apoiando um movimento iniciado pelos estudantes, néao so iniciado mas protagonizado! E eis que o mais extradordinario acontece: chega o reitor da universidade, vem dar o apoio, vem dizer que o conselho universitario votou uma moção contra o governo, e que ele se solidariza com os estudantes, e que esta preocupado com a ocupação à noite porque o frio, a segurança das pessoas, coisa e tal. Por um momento eu me beslicava: "não, não pode ser!!" Os professores votam o apoio e a greve. Começa a assembléia de estudantes. Fico pra ver. Varios professores estão la também. Os alunos contra a greve pedem a palavra. Dizem que não vai dar, que vai ser votado, que é lei, não adianta, que estão perdendo tempo... um aluno da associação dos estudantes com deficiência fisica toma a palavra. E lembra que não faz pouco tempo, na França se pensava que a paralisia era contagiosa e transmissivel, e por isso, pessoas com paralisia não podiam frequentar uma universidade, estava na lei. Mas mudou...
Nesta hora eu senti aquela emoção que faz com que a gente se lembre que somos iguais e diferentes, que somos gente. A emoção de partilhar o coletivo... uma esperança reacende dentro de mim...
Nesta hora eu senti aquela emoção que faz com que a gente se lembre que somos iguais e diferentes, que somos gente. A emoção de partilhar o coletivo... uma esperança reacende dentro de mim...
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